segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Do Estatuto do homem - poesia de Thiago de Mello-1964
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Abrir os olhos quando outros fecham, ouvir quando outros se recusam a escutar, olhar quando outros desviam os olhos, buscar entender quando outros desistem, levantar a cabeça quando outros aceitam, continuar a lutar a despeito de nossa fraqueza, elevar a voz quando outros silenciam e recordar quando outros esqueceram.
Emmanuel Eydoux
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mário Quintana
Humildade
Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
Cora Coralina
Assinar:
Postagens (Atom)






