domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio - as folhas, os insetos, as penas das aves, se transforma nas pedras do seu leito.
Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atirá-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças.
Às margens do Rio Piedra eu me sentei e chorei.
O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas em meu rosto, e elas se misturaram com as águas geladas que correm diante de mim.
Em algum lugar este rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e de meu coração, todas estas águas se misturam com o mar.
Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. Que minhas lágrimas corram para bem longe e então eu esquecerei do Rio Piedra, do mosteiro, da igreja dos Pirineus, da bruma, dos caminhos que percorremos juntos.
Eu esquecerei as estradas, as montanhas e os campos dos meus sonhos - sonhos que eram meus e que eu não conhecia.
Paulo Coelho
As memórias amargas não podem nos aprisionar. Elas fazem parte da vida - como o sorriso, o pôr-d-sol, o instante da oração.
Curioso é que esquecemos rápido nossas alegrias, embora sempre façamos com que o sofrimento dure mais do que o necessário.
A dor é uma ótima desculpa para problemas que não conseguimos resolver, passos que não tivemos coragem de dar, decisões que adiamos.
A dos faz parte da vida - como faz parte a alegria, a fome e a vontade de sonhar. Não adianta fugir, porque ela termina nos encontrando.
Mas sua única função é nos ensinar algo. Aprendemos suas lições, e isso basta.
Toquemos para frente.
Não vamos nos castigar com memórias amargas. Não vamos sofrer duas vezes quando podemos sofrer apenas uma.
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